domingo, 22 de junho de 2008

Resenha

Autor: Christopher Vogler
Obra: A Jornada do Escritor - 2ª edição
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 448
Tradutor (a): Ana Maria Machado
Preço: 39,90

A Jornada do Escritor
Um verdadeiro manual de instruções de como escrever uma boa narração e criar personagens. Em um livro baseado nas obras de Joseph Campbell, Christopher Vogler desenvolve uma obra que orienta e educa escritores, roteiristas, cineastas, professores e até mesmo o leitor que sente prazer em ler uma boa história, rica em conflitos e personagens.
Das definições da capa do livro, a mais simples e que melhor explica é a de Ruy Guerra – “A Bíblia do roteirista de Hollywood. Indispensável para quem quiser compreender os mecanismos e os truques da dramaturgia americana”. Esta frase se confirma quando vemos estúdios como Walt Disney e Warner Bros guiando seus roteiros a partir da obra de Vogler.
O livro possui três divisões. A primeira descreve quais as personagens são necessárias para qualquer história. A segunda propõe os estágios básicos para o melhor desenrolar da narrativa até o final. A última, o epílogo, sintetiza A Jornada do Escritor analisando roteiros de filmes que fizeram bastante sucesso.
O livro descreve a narração como se cada romance ou filme se tratassem da mesma obra. Vogler, inspirado em A Jornada do Herói, desvenda características comuns a todas as narrações como a saída do mundo comum, onde vivia o herói. Os testes que mostrarão os aliados e inimigos. A provação, que é quando o herói enfrenta a possibilidade de morte. A recompensa, após derrotar o inimigo. E, o caminho de volta, quando o herói retorna com o Elixir.
A Jornada do Escritor é um livro repetitivo, onde a repetição se faz necessária. Por ser considerado um manual de instruções para a narração e, como todo manual, possui objetividade e clareza. É o que tenciona o autor que, de forma generosa fornece boa parte de seu conhecimento para os que pretendem contar boas histórias. Influenciando, inclusive, Steven Spielberg e George Lucas.
A filmografia que consta no apêndice do livro surpreende pela quantidade e qualidade dos filmes. Títulos como A Bela e a Fera, O Mágico de Oz, Star Wars, Titanic, entre inúmeros outros, foram guiados por A Jornada do Escritor.
Tão útil quanto um guia de sobrevivência e tão eficaz quanto um manual de instruções, este livro ajuda o leitor a entender e o escritor a produzir, de forma eficiente, uma boa história.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A bunda, que engraçada


A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.


Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo.A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.


A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.


A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.


Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.


A bunda é a bunda
redunda.


(Carlos Drummond de Andrade)


Achei que faltava um toque de humor a este blog. Então, resolvi postar este bem-humorado poema.


O isolamento social

Atividade de Oficina de Redação

Cada vez mais, a sociedade atual vai se distanciando das sociedades dos séculos XIX e XX. O fator mais importante que contribuiu para que isso acontecesse foi o avanço dos meios de comunicação e a facilidade de acesso que a população teve, e tem, a esses meios. Isso causa isolamento pessoal e perda de contato entre as pessoas.

A velocidade com que avança a sociedade consolida a nova Revolução Tecnológica, que teve início a partir do século XXI. Essa insurreição é sustentada, principalmente, pelo crescimento das Redes Mundiais de Computadores e do seu desenvolvimento no 3º setor (o setor de serviços). A internet poupa tempo e evita trabalhos desnecessários. Através dela, uma pessoa pode fazer compras, pagar contas e pesquisar sobre os mais diversos assuntos, tudo isso sem sair de casa. E é essa comodidade que faz as pessoas perderem o contato umas com as outras.

Analisando pelo ponto de vista histórico, as sociedades pré-modernas não tinham como fator preocupante o distanciamento social. A interação entre as pessoas era feita de forma mais dinâmica e o contato intenso entre elas facilitava no desenvolvimento da comunicação.

O isolamento social, e muitas vezes geográfico, causa uma ruptura com os padrões culturais vigentes em uma determinada comunidade, tribo, ou grupo de pessoas. Essa ruptura provoca um acelerado processo de aculturação e de perda da identidade regional trazendo conseqüências muito graves, como a extinção da cultura dos povos, provocada, muitas vezes, pelo crescimento desenfreado do capitalismo que obriga a sociedade a se adaptar às novas regras impostas por este sistema.

O impacto da velocidade de caracterização de uma sociedade em algumas pessoas é, muitas vezes, desconsiderado. Este impacto constitui a característica de algumas gerações que simplesmente não percebem o quanto esse distanciamento é prejudicial para o convívio em sociedade. E tentando buscar outras formas de interação, surgem as tribos virtuais, que engloba vários grupos com diferentes ideologias entre eles, as pessoas que procuram estes grupos sempre têm um interesse em comum e passam a participar dele.

Problemas como o distanciamento social não apresentam soluções definitivas. Há sim, uma maneira de amenizá-los, mas essa iniciativa deve partir das próprias pessoas para que este isolamento não se torne cada vez mais intenso. Elas deveriam se comunicar mais. Ir à loja ao invés de comprar em lojas virtuais. Ir ao banco ao invés de solicitar o débito on-line. Pesquisar na biblioteca ao invés de procurar tudo na internet.

O mundo está em constante renovação, as pessoas participam deste processo. O distanciamento social impede que a relação entre as pessoas se torne mais participativa. Um ótimo exemplo de união social a ser citado são as manifestações que mobilizam milhares de pessoas por um ideal. Acontecia com muito mais freqüência no passado, atualmente são raros os movimentos sociais e a tendência é que se tornem cada vez mais raros.

O avanço dos meios de comunicação e a falta de interesse nos movimentos sociais são os responsáveis por essa velocidade em que avança a sociedade. Acreditar que há soluções imediatas e definitivas para isso é viver uma utopia.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Resenha de "1968: O ANO QUE NÃO TERMINOU"

Em um livro minucioso, quase didático, o jornalista Zuenir Ventura relata o ano de 1968, vinte anos depois dos acontecimentos. Direto e pouco repetitivo, o livro conta com mais de uma dezena de personagens que vão desde os estudantes, personalidades, militares, intelectuais e o presidente da República. São relatados protestos e revoltas de uma geração revolucionária, com ideais propostos pelo iluminismo e pelo comunismo, inspirados em experiências bem-sucedidas de revolução, como é o caso de Cuba e Vietnã.

Luís Buarque de Hollanda realizou uma festa réveillon inesquecível em sua casa, conhecida como "réveillon da Helô". Numa festa que tinha de tudo para dar certo, aconteceram sucessivos fiascos e a destruição de objetos do casal Buarque de Hollanda que, já esperando por isso, cobraram uma taxa adicional na entrada para cobrir prejuízos. Outra festa como aquela jamais voltou a se repetir. O próprio Luís diz: "Réveillon como aquele, só uma vez na vida.

O aumento do consumo de drogas, que iria se intensificar ainda mais no ano seguinte, e a popularização do sexo como assunto de discussão marcaram a década de 60. O que era inadmissível na década anterior, tornou-se comum, sem importância.

Durante a interdição do restaurante Calabouço pela polícia do Rio de Janeiro morre o estudante Edson Luís Lima Souto, vítima da violência dos policiais. Revoltados os estudantes organizam protestos que comovem a população. O primeiro deles, no enterro Edson Luís, reuniu aproximadamente 50 mil pessoas o que fez dele um mártir para os estudantes. Sete dias depois, na missa de Edson, a cavalaria é mandada para os arredores da igreja, impedindo, por meio da violência, as pessoas de fazerem a suposta passeata após a cerimônia.

Motivada contra a repressão e contra a violência, a "Sexta-feira Sangrenta" foi o confronto mais violento entre estudantes e polícia. Os moradores dos prédios jogavam objetos nos policiais e estes revidavam com tiros para o alto, tentando impedir que mais objetos fossem atirados. Foi um dia de muitas vítimas. Mas foi graças a ela que a cidade estava preparada para a passeata dos 100 mil.

Os estudantes exigiam o direito de fazer uma passeata, que foi concedido pelo governador do estado. Os otimistas acreditavam em reunir 20 mil pessoas. Os mais ousados 50 mil. As pessoas não imaginavam que aquela passeata reuniria 100 mil pessoas em protesto contra a ditadura. Movidos pelo novo Hino Nacional, "Pra não dizer que não falei de flores", de Geraldo Vandré, a passeata dos 100 mil ficou marcada como um dos mais importantes acontecimentos do ano.

A última parte do livro trata somente do AI-5, das motivações da norma legal, da resistência de Pedro Aleixo (vice-presidente da República) em decretar o Ato. Aos supersticiosos, o Ato Institucional Nº5, decretado por Costa e Silva no dia 13 de dezembro de 1968, sexta-feira, seria um golpe de má sorte que censura, reprime, exila e mata. Chamado de "O Golpe dentro do Golpe", o AI-5 fechou o congresso e criou censura prévia nos meios de comunicação. A notícia seria censurada antes mesmo de ser publicada.

O AI-5 foi o responsável por uma grande deficiência cultural durante todo o período da ditadura. Várias músicas, peças, filmes, livros e reportagens foram proibidos de serem comercializados ou exibidos.

1968 foi um ano de muitas perdas e algumas conquistas, uma época de esperança marcada por uma geração inconformada e ativa. O livro de Zuenir Ventura é um documento histórico que sintetiza e esclarece o que aconteceu em 1968 no Brasil.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Dilema

Um repórter mente e suborna fontes para obter informações de interesse público às quais não teria acesso caso se identificasse como jornalista?


Às vezes, em determinadas situações, o jornalista não conseguirá obter informações suficientes para poder transmiti-la. Nessas situações torna-se necessário o uso de outros métodos para obter a informação.

Atitudes como essas não merecem ser consideradas antiéticas. Afinal, o único meio de o jornalista conseguir certas informações é não se identificando como tal.

As reportagens que geralmente envolvem denúncias necessitam que o repórter utilize esta estratégia, caso contrário, tais reportagens não seriam bem-sucedidas. Imagine um jornalista numa favela, denunciando a participação de policiais na venda de armas para os traficantes. O repórter aborda o policial durante uma negociação e diz: “Boa tarde! Eu sou jornalista, o senhor poderia me dar uma entrevista?”. Provavelmente, ele seria assassinado.

O recurso de não se identificar como jornalista , em algumas situações, torna a profissão mais segura e aumenta as chances de sucesso da reportagem.

domingo, 8 de junho de 2008

Arquivo UnB, a culpa é do governo.

A invasão da UnB foi um dos últimos grandes acontecimentos que antecederam a decretação do AI-5. As tropas militares invadiram a universidade com a justificativa de prender líderes estudantis. Foi com muita violência que os professores e estudantes foram presos. Era final de agosto (dia 29), e o pior ainda estava por vir.

Idealizada pelo antropólogo Darcy Ribeiro, reitor até 1964, quando foi destituído do cargo após a primeira invasão, a UnB iniciou seu primeiro ano letivo em 9 de abril de 1962. Até então tinha apenas quatro cursos de graduação: Administração e Economia, Letras Brasileiras, Direito e Arquitetura e Urbanismo.

Com o início da ditadura militar, muitos professores abandonaram a universidade. A perseguição contra a intelectualidade ia se intensificando conforme os anos de ditadura iam se passando. E, em 1968, atingiu o ponto máximo.

A invasão de 1968 foi a terceira de uma série. A primeira ocorreu em 1964, quando a universidade passou a ser tratada como foco subversivo, sendo invadida por tropas da PM de Minas Gerais, no dia 9 de abril. Também, naquela ocasião, foram presos muitos alunos e professores.

Para controlar o rebelde movimento estudantil, os policiais se infiltravam entre os estudantes. Um deles, chamado Edrovaldo Guitiérres, foi descoberto e detido pelos estudantes que pretendiam trocá-lo por companheiros que estavam presos.
As polícias do exército, militar, civil e o DOPS agiram em uma operação conjunta, alegando o cumprimento de mandados de prisão de alunos. A UnB foi invadida violentamente. Muitos alunos foram presos e submetidos a violências e humilhações.

As autoridades policiais não conseguiram justificar os motivos da invasão, o que causou grande repercussão na imprensa e no Congresso Nacional. Muitos parlamentares condenavam a ação da polícia. O deputado Márcio Moreira Alves, em discurso, pedia ao povo que não comparecesse às comemorações de 7 de setembro, Dia da Independência, pois não considerava independente o povo brasileiro. O governo tentou processá-lo por esse discurso.

A invasão da Universidade de Brasília contribuiu para a decretação do AI-5 e do Ato Complementar Nº38, que determinava o fechamento do Congresso Nacional. A decisão foi transmitida para todo o país pelo ministro da Justiça, Gama e Silva. O novo ato garantia poderes plenos ao governo militar.

Durante o AI-5, o país viveu a fase de perseguição mais intensa. Se, antes do ato, os intelectuais brasileiros fugiam para escapar da ditadura, após o AI-5, a intelectualidade começou a desaparecer do país, exilando-se em diversas partes do mundo.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Arquivo N - 1968 (comentário)


O programa Arquivo N, da Globo News, relata acontecimentos do ano de 1968. Jornalistas, escritores, sociólogos e líderes estudantis são entrevistados para falarem sobre o assunto e tudo de mais importante que aconteceu em 1968. Como os assassinatos de Martin Lutter King e Robert Kennedy (candidato do partido Democrata à presidência dos Estados Unidos), a Guerra do Vietnã, o movimento Hippie e os protestos de jovens estudantes de todo o mundo. Além de manifestações contra a guerra, os regimes ditatoriais e a divisão da Alemanha. Enfim, protestos contra qualquer tipo de repressão ou violência.

O escritor Mark Kurlansky, autor de "1968: O Ano que Abalou o Mundo" define, em entrevista ao Arquivo N, o ano como sendo uma peça de um grande dramaturgo, tantos foram os conflitos e manifestações que aconteceram em todo o mundo.
Inspirados em líderes revolucionários como Che Guevara (assassinado no ano anterior) e Fidel Castro, símbolos da revolução cubana, os movimentos a favor da paz e da democracia ganharam força. Frases como "não faça a guerra, faça amor!" serviram de slogan contra a ocupação estadunidense no Vietnã.

Hoje, quarenta anos depois, se compararmos os jovens daquela geração com os de agora, imediatamente percebe-se o caráter nostálgico das recentes manifestações quando relacionadas com as de 1968.

domingo, 18 de maio de 2008

Foco Narrativo - 3ª pessoa




BRINCADEIRA DE CRIANÇA MACHUCA

Ânjelo costumava ficar longe das outras pessoas. Ele gostava mesmo era de se sentar embaixo de uma árvore na hora em que o sol estivesse rachando o solo, de tão quente. De vez em quando, um bando de pombos nojentos ia se juntar a ele. Ânjelo odiava. Dizia todos os palavrões quando um daqueles miseráveis mirava e acertava, bem na sua cabeça, aquele cocô molhado que só as aves, os bebês e as pessoas com diarréia têm. Quando isso acontecia, ele adorava e se divertia muito ao jogar uma pedra na árvore, só para ver o bando se dispersar. Ânjelo considerava isso uma vingança contra o pombo. Isso o deixava feliz.

Novamente, ele estava lá, embaixo da mesma árvore, alvo dos mesmos pombos. Quatro meses depois que Ânjelo passou a odiar tanto a ave, ele completou nove anos. Foi numa quarta-feira, mas ele e sua família só iam ao parque nos domingos. Então, com nove anos e quatro dias de vida, Ânjelo estava prestes a cometer uma grande maldade. Os pombos fizeram o de sempre e, desta vez, ele não teve tanta piedade: jogou a pedra no bicho com intenção de acertar. Ânjelo tinha boa mira. Acertou na asa e o bicho não conseguiu mais voar. Um gato magro estava rasgando as sacolas de lixo do parque. Ânjelo apanhou a ave do chão, chegou perto do gato e jogou o pombo em cima das sacolas. O gato pulou com as duas patas sobre ele. Comeu a asa machucada primeiro. Ele não viu o gato terminar de comer. Saiu. Nunca mais beirou a árvore. Ficava quieto sempre que ia ao parque. Desde aquele dia, jamais viu o gato comer novamente.

Foco Narrativo - 1ª pessoa


BRINCADEIRA DE CRIANÇA MACHUCA

Eu estava longe do lugar onde as pessoas costumavam ficar. Gostava mesmo era de me sentar embaixo de uma árvore na hora em que o sol estivesse rachando o solo, de tão quente. De vez em quando, um bando de pombos nojentos vinha se juntar a mim. Eu odiava. Dizia todos os palavrões quando algum daqueles miseráveis mirava e acertava, bem na minha cabeça, aquele cocô molhado que só as aves, os bebês e as pessoas com diarréia têm. Quando isso acontecia, eu pegava uma pedra do chão e atirava para cima, só para ver o bando inteiro voando.

Novamente, eu estava lá, embaixo da mesma árvore, alvo dos mesmos pombos. Passaram-se quatro meses desde que eu passei a odiar tanto essa ave. Eu tinha acabado de completar nove anos na quarta-feira, mas minha família só ia ao parque nos domingos. Então, com nove anos e quatro dias de vida, eu estava prestes a cometer uma grande maldade. Os pombos fizeram o que sempre faziam comigo. Desta vez, não tive tanta piedade. Joguei a pedra no bicho com vontade de acertar. Minha mira era boa. Acertei a asa e o pombo não conseguiu mais voar. Vi, perto do lixo, um gato magro rasgando as sacolas. Peguei a ave no chão, cheguei perto do gato e joguei o pombo em cima dos sacos de lixo. O gato pulou com as duas patas sobre ele. Comeu a asa machucada primeiro. Não o vi terminar o serviço. Saí. Nunca mais beirei a árvore. Ficava quieto sempre que ia ao parque. Desde aquele dia, jamais vi o gato comer novamente.

domingo, 11 de maio de 2008

O que a falta de responsabilidade e ética provocam?


Responsabilidade e ética são duas virtudes indispensáveis para qualquer profissão. No campo jornalístico, elas vão além de respeitar as normas estabelecidas para cada função no ambiente de trabalho. A profissão de jornalista requer muita responsabilidade sempre que se for publicar uma matéria. A não-apuração dos fatos e a publicação de qualquer notícia que não seja verdadeira causam muita repercussão, pois influenciam diretamente o comportamento das pessoas.

A falta de responsabilidade jornalística pode provocar um comportamento inesperado por parte dos leitores/espectadores e gerar pânico, comoção, medo. Foi o que aconteceu com Orson Welles, quando apresentava o seu programa de rádio nos Estados Unidos. Era dia das bruxas, o programa dele começou com um noticiário de vários acontecimentos estranhos. Ele forjou entrevistas com especialistas e coberturas ao vivo até que finalmente revelou que se tratava de uma invasão marciana. A população estadunidense se desesperou e, dos mais de 1,2 milhão de ouvintes, 500 mil tomaram alguma medida de proteção que ia desde o reforço na segurança da casa ao abandono do próprio lar para um lugar mais seguro. Welles provocou um rebuliço nos Estados Unidos que inspirou outras pessoas pelo mundo. Aconteceu um episódio semelhante em São Luís do Maranhão, no período da ditadura militar, que causou pânico em boa parte dos moradores, inclusive na polícia, que até fechou o rádio. Aquela foi uma atitude irresponsável de Welles, que não deve ser repetida por jornalistas porque causa um impacto negativo nas pessoas.

Stephen Glass representa a falta de ética jornalística a partir do momento em que inventou sua primeira matéria para The New Republic, uma respeitada revista dos Estados Unidos. Glass escrevia com humor as suas "notícias", que eram muito interessantes e agradavam aos leitores com o jeito divertido que eram contadas. Glass entrou em decadência a partir da publicação da reportagem "O paraíso dos hackers", que contava como um garoto de 13 anos conseguiu burlar o sistema de segurança de uma grande empresa de softwares. Questionado pelo chefe por não ter dado cobertura àquela notícia, um repórter da Forbes Digital decide investigar as fontes da reportagem quando descobre que todas as informações haviam sido inventadas. Glass acabou demitido da revista e começou uma nova carreira como escritor.

Tanto a falta de ética de Glass quanto a falta de responsabilidade de Welles são exemplos a serem evitados por qualquer jornalista. As conseqüências que a falta de uma dessas (ou das duas) pode ocasionar faz do jornalista um instrumento perigoso capaz de mentir, de omitir e de manipular as notícias por interesse próprio.

Resenha de "O preço de uma verdade"


O filme “O preço de uma verdade” conta a história de um jovem jornalista que, em pouco tempo, conseguiu o reconhecimento das principais revistas dos Estados Unidos. A história de Stephen Glass é baseada em fatos reais e trata dos princípios da ética jornalística.
Glass escrevia para a revista The New Republic. Suas matérias eram, quase sempre, parcial ou totalmente inventadas por ele. Glass agradava os leitores com o seu jeito bem-humorado e notícias interessantes.

A carreira de Glass como jornalista começa a ser ameaçada a partir da publicação da reportagem de um garoto de 13 anos de idade que foi capaz de burlar e invadir os sistemas de informações de uma grande empresa de software. O garoto foi contratado pela companhia após fazer uma série de exigências fúteis, entre elas a assinatura da revista Playboy. A reportagem sobre o garoto gênio, intitulada “O paraíso dos hackers” foi a última de Glass. O The New Republic foi investigado por um repórter da Forbes Digital que descobriu que a empresa, o hacker, os pais e o agente do garoto, além da conferência de hackers que Glass se referia na reportagem, não existiam.

Quando o editor Chuck Lane decide investigar as fontes, Glass inventa mentira sobre mentira tentando se justificar. Comprovada a fraude, a punição de Glass passa de uma suspensão de dois anos para a demissão.

“O preço de uma verdade” prova que a falta de ética de um jornalista pode acabar com uma carreira. E foi o que aconteceu com Stephen Glass. Depois de demitido, tornou-se escritor e pôde, finalmente, contar as suas histórias.